top of page
Buscar

Uma sociedade hypida, os capítulos de “Vidas Secas” e o método psicanalítico.

  • cfarialima
  • 20 de jan. de 2025
  • 2 min de leitura



Na reta final do ano de 2024, resolvi iniciar uma leitura fora do alcance da psicanálise.

Sim, estava no adverso no trabalho, na espera pelo descanso, na esperança de esquecer, ops, digo, desconectar.


Peguei meu cansaço e fui de encontro à “melhor época do ano”. Os otimistas, os esperançosos, os merecedores e os oportunistas assim qualificam esse período, que vai de Dezembro à Janeiro. Meados dos Fevereiros carnavalesco, aqui encontram guarida.


Pensei em um romance nova-iorquino.


Pensei em um manual de Filosofia. Tipo 10 passos para conhecer a matéria e ser uma acadêmica, manja?


Andei e me confrontei com o clássico “Vida Secas”, de Graciliano Ramos.


Demorei a abri-lo, pois, eu estava em um tédio por leituras e com uma falta de postura para fazer uma das coisas que mais gosto: ler. Mas, abri e li.


Na aventura de levá-lo para a viagem de verão, me deparo com uma semana de chuvas, muitas catástrofes naturais mundiais e um começo de ano nada enriquecedor do ponto de vista “positivo – esperançoso – réveillon – ano novo – roupas brancas”. Não concebi ainda esse 20 -25 (sim eu separei, porque está em alta falar vinte – vinte e cinco e não, dois mil e vinte cinco).


Vidas secas me acompanhou em uma virose fraudulenta: nada de praia, nada de mar, nada de restaurante, nada de nada, e, ainda assim, dias sem fome, dias com febre e em um inquilinato com o  banheiro.


Assim, tive companheiros como Fabiano, Vitória, Baleia e, claro, a feiticeira da Psicanálise que, não se constrange em tomar meus pensamentos e construções reflexivas em tudo que há e existe.


O livro me fez pensar em como psicanalistas atuais, atenderiam a família periférica, mal constituída, que tinham individualidades, mas, não tinham interrelações, de modo a permear, a solidão, o desamparo e o pouco de palavras que trocavam.


Arreda foi a palavra que mais se destacou. E os significantes me superaram no clamar o tal “arreda”.


O que mais pretendemos dizer e fazer, quando lanço mão do: Arreda!  


O que a família queria dizer sobre? Dor? Sofrimento? Arrependimento? Escolhas? Esvair-se? Permanência?


Arriscaria dizer que parte ou a totalidade destes predicados significam. Mesmo parecendo muita oferta em palavras, careceriam de sentimentos ou significantes para os personagens da obra que, deflagra algo também atual, porém menos sertanejo e mais sociedade tecnológica hypada. De uma forma simétrica, ambos nos apresentam sobre o contemporâneo e a literatura desamarrotada, o destino de quem tem necessidades primordiais preteridas ou de quem subentende a sua dificuldade em rótulos e diagnósticos.


A psicanálise é um método que privilegia a escuta. Mas não pode, escutar a quem não tem condições de dizer, seja pelo trauma, seja pela desordem interna, seja pela fome, seja pela abundância de si mesmo. Tudo é afluente para a sessão de psicanálise.


E como abordar, a quem não pode falar, pela miséria do seu mundo particular, e não só, pela pobreza de vocabulário onde, arreda, significa, tudo?


Falando. Dizendo. Em tempo. Com tempo.


Seguimos em 20-25.

 
 
 

Comentários


©2020 por Cora Faria Limá Tarot. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page