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O primeiro paciente: o amor e o sujeito que jamais saberá seu lugar.

  • cfarialima
  • 24 de jan. de 2025
  • 2 min de leitura



A psicanálise e suas oportunidades que nos possibilitam passear por muitos mundos.


Sim, digo mundos, porque escutar a diversidade atrelado à subjetividade, traz suporte a essa denominação que neste momento me apego.


Isso, para nós analistas, significa, perceber neuróticos ou psicóticos, mesmo que, dentro do setting analítico, tais denominações não importem, pois, o que de fato se torna imprescindível, é o caminho que nosso analisante atravessa.


As travessias são lindas, poéticas, emocionantes e nos permitem arvorar como analistas.


Das pessoas que chegam, uma, em um momento solene, tem uma dádiva que não conhece e não a conhecerá: ser nosso primeiro paciente.


Acho que neste texto, além de pensar em Psicanálise e o que ela me confere, desejo também, acrescentar parte da travessia de NR (siglas que referem-se ao meu primeiro paciente) em meu caminho como analista. Quiçá, uma homenagem.


Quando conhecemos nosso primeiro analisante, conhecemos também a nós mesmos, dentro da ocupação de analista. Isso nos insere em um novo formato e ideia de mundo, pois a Psicanálise nos presenteia com a condição de ouvir e participar, em nossa escuta e atenção flutuante, desse novo episódio, narrado e dialogado por aquele que busca um caminho novo sobre si e em decorrência disso, um par analítico com elo e vínculo.


Quando NR chega, já me conta sobre seus diagnósticos, farmacologia, tempo de doença mental e tudo o mais que lhe trazia de um CAPS até ali.


- Sempre fiz análise, mas agora quer me tratar com um Psicanalista.


A fala de NR  me situa. Ao perceber sobre a redundância de análise e Psicanálise, e me entrega o tal “não saber”, me estabelecendo automaticamente como Psicanalista. Sem mensurar, lhe fiz um convite:


                - NR, porque você não me conta sua história?


Ela assentiu e seguiu, nos minutos que compreendia a sessão, certa síntese de sua vida.


Dali em diante, estabelecido um contato inicial, disse que ela poderia pensar sobre continuar,  acordando os valores das sessões.


Ela concorda e disse que podemos iniciar tal parceria.


Foram 27 meses, aproximadamente, que tornearam nossos diálogos, suas questões mais profundas, sua apressada pontualidade nas sessões que diziam sobre sua ansiedade em se curar.


De uma intelectualidade preservada, assumida e cultivada, NR passeava ora sim, ora não, pelas suas fugas da realidade, pela sua paradoxialidade e por seu desejo de não mais tomar remédios.


Sabia de sua condição e não se acovardou em seguir com suas singelas consciências.


Um dia se despede. Agradece. Nunca mais voltou.


Percurso analítico, impermanência e a sucursal posição do analista à Psicanálise.


Com carinho,

 

Cora Faria Lima – Psicanalista.


  • Se você quer começar seu percurso, entre em contato e vamos conversar.


 
 
 

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